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MP Eleitoral em SP denuncia caixa 2 em campanha do PSDB à prefeitura de São Caetano do Sul

  • Foto do escritor: ELTON SPINA
    ELTON SPINA
  • 12 de jun. de 2018
  • 2 min de leitura

Denúncia foi apresentada nesta terça-feira (12) ao TRE contra o prefeito e o vice-prefeito da cidade e mais 7 pessoas, por organização criminosa e caixa 2 nas eleições de 2016

Por MPF

12 DE JUNHO DE 2018 ÀS 13H20.


Nesta terça-feira (12), o Ministério Público Eleitoral em São Paulo apresentou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE/SP) denúncia contra o prefeito e o vice-prefeito de São Caetano do Sul, José Auricchio Jr e Roberto Luiz Vidoski, ambos do PSDB, e outras sete pessoas, por caixa 2 e formação de organização criminosa nas eleições municipais de 2016.

Em investigação iniciada em maio do ano passado e conduzida diretamente pelo MP Eleitoral, apurou-se a utilização de diversas pessoas físicas para disfarçar a origem dos recursos que financiaram a campanha à prefeitura de São Caetano do Sul e que abasteceram o caixa do diretório local do PSDB no mesmo período. No decorrer das investigações, a Procuradoria solicitou diversas medidas cautelares, que foram deferidas pelo Tribunal, permitindo com isso o necessário esclarecimento dos fatos.

Estima-se que 54% do montante arrecadado para a campanha eleitoral é proveniente de doações dissimuladas, o que coloca em xeque a própria legitimidade do pleito de 2016 no município.

Esquema - Os crimes foram cometidos por intermédio de organização criminosa estruturada em torno da empresa Globo Contábil e de seu proprietário Eduardo Abrantes, que se utilizou de funcionários e de familiares para camuflar os recursos destinados à campanha. Entre os laranjas, constava pessoa sem nenhuma condição econômica de realizar doações milionárias, além de pessoa hospitalizada, que efetuaram transferências ao partido e à campanha eleitoral.

A principal conta bancária utilizada foi a de Ana Maria Comparini Silva, pessoa humilde e pensionista do INSS, pela qual transitaram cerca de R$ 1,4 milhão, dinheiro que abasteceu direta ou indiretamente a campanha eleitoral e o partido. Trata-se da mesma pessoa física que aparece como doadora da campanha do vereador Camilo Cristófaro (PSB), que teve na semana passada seu mandato cassado pela Justiça Eleitoral por captação ilícita de recursos financeiros durante as eleições.

Dentre outras, a maior depositante que abasteceu a conta de Comparini foi a empresa Almeida & Dale Galeria de Arte Ltda, tradicional galeria de artes localizada no bairro dos Jardins em São Paulo, que depositou mais de 500 mil reais, fato que revela o total desrespeito à proibição de financiamento empresarial, já que as pessoas físicas que figuraram como doadoras serviram como meras repassadoras de recursos.

Penas - A forma premeditada e estruturada como os crimes foram cometidos levaram o MP Eleitoral a atribuir delitos que podem resultar, em tese, a penas superiores a 30 anos de prisão, além de perda do cargo público, inelegibilidade e multas para os principais denunciados. Na denúncia, foi também pedida indenização material e moral no valor de R$ 6 milhões.

Os fortes indícios de que a Justiça Eleitoral foi utilizada para lavagem de dinheiro fez com que a Procuradoria solicitasse instauração de inquérito policial para prosseguimento da investigação desse crime junto à Superintendência da Polícia Federal de São Paulo.



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